Empresa local monta usinas para concorrer com a Celpe e levar energia solar para consumidor final

Empresa local monta usinas para concorrer com a Celpe e levar energia solar para consumidor final

No Estado, já há a força natural do sol do Nordeste.
Agora começam a aparecer empreendedores no setor, enxergando o potencial da nova cadeia produtiva.
Nesta sexta-feira, no Recife, a empresa pernambucana Blue Sun Brasil, que atua no setor fotovoltaíco do Nordeste, anunciou a criação do Programa Bandeira Azul, que vai comercializar 100 MW até meados de 2018.
A empresa informa que está aproveitando as mudanças nas regras da geração distribuída no País, que permitem a compensação a partir da geração remota de energia.
A Blue Sun pretende já no primeiro trimestre de 2018 estar com três usinas em funcionamento.
Pelo projeto, as primeiras usinas serão implantadas nos municípios de Arcoverde, Gravatá e Floresta, localizadas no interior de Pernambuco.
Já as cidades de Itaíba e Santa Cruz receberão a segunda parte do projeto. Cada cidade deve receber, no mínimo, cinco usinas solares.
O investimento inicial será de R$ 200 milhões da Blue Sun, aplicado em infraestrutura, tecnologia e mão de obra, e R$ 400 milhões de fundos de financiamento e banco, para equipamentos.
O programa nasce conectado ao projeto PE Solar do Governo de Pernambuco com articulações internacionais do Programa Noronha Carbono Neutro da Secretaria de Meio Ambiente do Estado.
Blue Sun Brasil nasceu em Pernambuco e está no mercado há 17 anos e atua na área de Energia Fotovoltaica a 5. A empresa é voltada para energia sustentável e distribuição de produtos para o setor elétrico, com matriz no Bairro do Recife.
O CEO da Blue Sun Brasil, Leonardo Leão, diz que a ‘Bandeira Azul’ vai mudar a dinâmica da distribuição de energia de Pernambuco.
“O crescimento da capacidade instalada favorece vai além trazer acesso a energia limpa, vai favorecer a geração de empregos em toda a cadeia produtiva. Pelos cálculos do setor, para cada MW de energia solar fotovoltaíca instalados, são gerados de 20 a 30 postos de trabalho. E com o Bandeira Azul agora o consumidor final terá acesso a ter sua própria usina, sem pagar nada além do que já gasta com energia. Além disso, vai contribuir com o desenvolvimento sustentável do planeta, já que a energia solar é uma das mais limpas”, explica Leonardo Leão.
“É uma ação pioneira, desenvolvida para nosso Estado que vai impactar positivamente na vida de muitas pessoas. Queremos dar acessibilidade a energia limpa para o cidadão comum”. Mas ele afirma que o programa não ficará restrito a Pernambuco. “Já estamos em negociação em outras regiões. Vamos levar esse modelo de negócio para todo o País”, afirma Leão.

Como vai funcionar?
A partir de agora, consumidores pernambucanos têm a oportunidade de trocar o valor destinado à conta mensal de energia elétrica, pelo financiamento da própria usina, que tem capacidade para produzir a quantidade de kW (quilowatt) desejada por cada consumidor. A conta é simples.
A partir de R$ 2 mil, o cliente pode comprar uma cota e se tornar proprietário da sua usina solar sem o ônus da gestão do negócio.
O Bandeira Azul, tem como público-alvo o consumidor categoria A (indústrias) e B (residências, lojas, escolas) que pode adquirir o acordo de forma fácil e sem burocracias.
A estratégia de criar o Programa Bandeira Azul é potencializar o fornecimento de energia solar para um grande volume de consumidores de forma muito acessível e ganhar escala rapidamente. O valor pago mensalmente à companhia elétrica, agora, será destinado ao parcelamento da própria usina solar, que fornecerá a energia necessária para um mês, como já acontece normalmente. A diferença é que o consumidor, além de não ser atingido pelo aumento das taxas, que acontece todos os anos, estará produzindo uma energia limpa e sustentável, com capacidade de produção por mais de 40 anos.
O acordo proporciona grande economia do kW consumido, acarretando, também, numa diferença no valor que geralmente é pago na conta de energia mensalmente. Na assinatura do contrato, o cliente pagará uma adesão que já irá custear o projeto da usina no terreno arrendado, equivalente ao valor que será pago nas parcelas seguintes. As mensalidades, no entanto, devem começar a ser pagas apenas após o início do fornecimento da energia contratada.
Ao término do contrato, o cliente tem o direito de retirar sua usina do local de produção e instalar em local próprio dentro da área de concessão da companhia elétrica em questão. Escolhendo essa modalidade, ele pagará pelo custo de retirada, projeto e instalação. Outra opção é permanecer com a usina no local e pagar apenas a taxa administrativa, equivalente a 5% da energia produzida.
Números nacionais
Enquanto muitos setores da economia brasileira afundaram em meio à crise que atinge o País desde 2015, a energia solar só cresce e assume uma posição de destaque no cenário nacional. De acordo com dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaiva (Absolar), os números apontam um crescimento de 325% em relação a capacidade de produção. Em termos práticos, a expectativa é de que o Brasil atinja a capacidade instalada de 1000 megawatts.
Essa expectativa coloca o Brasil com potencial para estar entre os 30 principais geradores do mundo. Segundo a Absolar (Associação Brasileira de Energia Fotovoltaíca), se o crescimento continuar no mesmo ritmo, em 2030, o país estará entre os cinco primeiros geradores do mundo. Atualmente, estão contratados, por meio de leilões de energia, cerca de 3.300 MW, que serão entregues até 2018.